Dinheiro

Marcelo Pereira Rodrigues (MPR)

Filósofo e escritor, autor do romance “A Queda”, dentre os seus outros 12 livros, publicados no Brasil e exterior. É editor-chefe da Revista Conhece-te.

www.marcelopereirarodrigues.com.br

Recentemente, Conselheiro Lafaiete foi notícia nacional com a prisão do pai do garoto que sofre de uma doença crônica e que arregimentou uma considerável soma de dinheiro. Não irei me arvorar na condição de juiz e nem emitirei opiniões sobre este caso específico. Penso que a opinião pública já condenou o suficiente, deve ter havido “linchamento virtual” etc. Reservo-me ao direito de não opinar: da mesma forma que não doei um centavo para a referida campanha, por que eu jogaria pedras e emitiria opiniões impensadas?

Mas quero chamar a atenção para uma questão genérica: a do dinheiro. Sempre afirmo que devemos ser donos do nosso dinheiro, e não deixar que o dinheiro nos escravize e seja o nosso dono. Cresci na pobreza e minha mãe sempre me chamou a atenção para a necessidade da educação, que um dia eu seria alguém na vida. Cometi os meus erros e fui me aprimorando: após uma juventude um tanto perdida e sem rumo (mas nada de drogas nem más companhias), fui estudar e tive a felicidade de entrar em uma universidade pública federal, a de São João del-Rei (UFSJ). Mamãe teve o orgulho de me ver formado. Duas horas para ir, duas horas para retornar, diariamente, e me vi formado 5 anos depois. Com muita dificuldade, criei minha empresa, a hoje consolidada Revista Conhece-te. Pelo talento advindo das vendas de meus livros, consolidei uma carreira de 18 anos e hoje posso afirmar, categoricamente, que vivo de literatura no Brasil. Viajo bastante a trabalho (aproveito e passeio também) e como consequência desse árduo esforço, sou bem remunerado e consciente de que o dinheiro que tenho é fruto de muito trabalho e horas dedicadas.

Quando, ao conferir meu extrato bancário, percebi que havia mais um zero à direita, não me deslumbrei e nem achei que poderia enfiar o pé na jaca. Sou dono do meu dinheiro, mas ele não é e nem nunca será o meu dono. Tenho o suficiente para uma poupança administrada, pois sou espartano no modo de viver. Por que escrevo isso? Para chamar a atenção de que o dinheiro fácil pode nos iludir de que agora somos, afinal, o dono do mundo. Que podemos comprar o que bem entendermos, que agora eu posso exibir as marcas e as grifes, e eu devo aparecer ao invés de simplesmente ser. Costumo brincar que os meus gastos de consumo não se modificaram com as vacas um pouquinho gordas de agora: se acostumei a comprar um par de sapatos por R$ 180,00, qual a necessidade de eu me moldar e adquirir um de R$ 490,00? Automóvel não possuo. Sou vanguarda e quero contribuir fazendo minha parte no tocante ao meio ambiente. A ter posses, gasto meu dinheiro com viagens à Europa, para aprender, fazer turismo e por que não, trabalhar?!

Não quero ser modelo e nem pagar sermão para ninguém. Só desejo chamar a atenção para algo simples e filosófico: domine sempre o seu dinheiro, mas não se deixe escravizar por ele. Se não tomarem cuidado, o dinheiro te açoitará com as suas exigências. 

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