Dura verdade: Pai de João Miguel irá responder por crime de estelionato

O pai do pequeno João Miguel, suspeito de usar dinheiro arrecadado para tratamento do filho doente chegou em Lafaiete na madrugada desta terça, 23.

Ele foi preso em um hotel em Salvador, após a Polícia Civil receber informações de que ele teria viajado a passeio com o valor que seria para cuidar da criança. O crime chocou Lafaiete.

De acordo com a Polícia Civil, Matheus Henrique Leroy Alves, de 37 anos, fez campanha nas redes sociais para arrecadar doações para comprar remédios para o filho, que tem Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença degenerativa rara.

Um áudio que circula nas redes sociais mostra a angústia de uma mulher que teria ajudado na campanha. “Eu estou acabada. Como um ser humano pode fazer isso? Não estou conseguindo acreditar. Muito difícil. Muito difícil. Como é que vou dar esta notícia pros outros? Tanta gente que entrou na campanha através de mim”, disse.

Segundo as investigações, dos cerca de R$ 1 milhão e 17 mil arrecadados, ele teria gasto mais de R$ 600 mil. Em um único dia, chegou a sacar R$ 100 mil em espécie.

Segundo o delegado que investiga o caso, Daniel Gomes, a mãe da criança teria procurado a polícia por desconfiar da atitude do marido, que vinha se afastando da família aos poucos e, que, desde o início do mês, sumiu e não deu mais notícias. Ela e o suspeito mantinham quatro contas bancárias para o recebimento das doações, sendo cada um responsável por duas delas.

Ainda de acordo com o delegado, Matheus teria descoberto as senhas das contas administrada pela esposa e teria efetuado vários saques vultuosos e transferências. As operações eram realizadas para contas em nome do suspeito e em nome de outras pessoas, que a Polícia Civil ainda está investigando qual a relação delas com o suspeito.

Matheus foi preso num hotel de luxo, de frente para a praia, com custo mensal de R$ 2 mil. Segundo o delegado, ele teria feito o pagamento de dois meses com antecedência. Dentro do quarto, a polícia encontrou relógios, jóias, objetos de luxo, uma porção de maconha e R$ 3 mil em espécie.

Em entrevista à imprensa, ele disse que estaria sendo extorquido e que parte do dinheiro foi repassada a criminosos. Mateus contou que estava com medo e, por isso, fugiu, sem chamar a polícia.

O suspeito, que ainda não tinha passagem, pode responder por estelionato e abandono material, por ter deixado a esposa e os dois filhos sem notícias. A Polícia Civil também investiga se houve crime de lavagem de dinheiro.

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