Este texto você deveria ler…

Sabe porque você precisa ler este texto? Para entender uma coisa que acontece com a imprensa de Lafaiete e da região, que a maioria prefere não falar.

Nesta segunda, dia 22 de junho, mais uma vez, a imprensa lafaietense e da região noticiou um caso envolvendo uma advogada de Lafaiete. Assim que todos os jornais locais e regionais deram "a notícia", a pancadaria teve início.

Os questionamentos feitos vão de ponderados à cruéis. A pergunta mais comum é "Qual é o nome da acusada?". Depois, a coisa descamba e começam os ataques aos jornalistas e comunicadores: …"Se fosse pobre, o nome já estava na matéria…." …"Que jornalistas ruins de serviço! Nunca informam nada direito"… …"Os jornais de Lafaiete e da região são fracos. Contam o caso faltando pedaços. São ruins de serviço!… E claro que não pode faltar o famoso …"Quanto que a família pagou para vocês, que além de incompetentes, burros e estúpidos, esconderem o nome da acusada?".

Deixa eu falar uma coisa, e eu não estou falando em nome de todos os jornalistas, comunicadores, radialistas, donos de jornais de Lafaiete e região. Eu estou expondo o que eu vivencio como jornalista. Então, o texto é meu, o esclarecimento é meu, e as consequências também serão minhas. Mas, eu preciso falar: Os jornais de Lafaiete e região não colocaram o nome da acusada porque a Polícia Civil não repassou. Nós perguntamos. Nós, assim como muita gente, entendíamos que o nome era necessário, até para que mais pessoas que foram vítimas, pudessem procurar a polícia. Nosso questionamento nunca foi e ou será para promover um linchamento público. Nosso papel é informar. Não somos nós que criamos as histórias. Nós só contamos as histórias. Mas, sempre com a desculpa que "é preciso proteger a pessoa acusado (a), suspeito (a) e ou as pessoas envolvidas em investigações e ou até mesmo em crimes públicos, os dados completos nunca nos são repassados. É bom esclarecer que entre nós, jornalistas, existe uma grande parcela de profissionais sérios que conseguem discernir entre o que deve ou não ser divulgado. Existem mesmo casos que precisam de todo o cuidado do mundo para não prejudicar ninguém. Não era o caso da advogada; ré confessa.

Bom, a verdade é que os dados completos são guardados a mil chaves para serem repassados a tempo e a hora para os grandes veículos de comunicação.

O caso da advogada foi além do suportável para todo e qualquer comunicador que tenha vergonha na cara. A Polícia Civil chegou a fazer ela mesma, imagens em vídeo a meses atrás, para, digamos assim, "deixar a matéria da Globo redondinha", como bons e velhos jornalistas costumam dizer… "para não faltar nada..." kkk.

Mas, não é só a Civil que faz isto. Quase todo mundo faz. Advogados, professores, policiais federais, médicos, autoridades civis e militares. Todos pensam igual: "Se a ideia, projeto, ação, notícia for muito boa ou impactante, primeiro vamos passar para os veículos de comunicação de grande porte, a chamada grande imprensa".

Exemplo disto, foi a presença de equipes de reportagem de grandes meios de comunicação, como a Globo e a Record, acompanhando junto com os policiais militares, operações de destaque, com uso de helicóptero ocorridas recentemente em Lafaiete. Depois que a operação acabava é que os comunicadores locais e regionais recebiam informações para fazerem suas matérias.

Outro exemplo é o comportamento do setor cultural da cidade de Congonhas . Por lá, quem comanda a cultura pensa que existe só o jornal Estado de Minas e a Rede Globo de Televisão. Porque, são para estes dois que "as notícias quentes" vão primeiro. Depois, manda pro resto… Ah, o resto…

Só lamento. Pois sou eu que vou lá prestigiar o Carnaval, a Semana Santa, o festival da quitanda, o Jubileu (É nele que comemoro todos os meus aniversários) e a iluminação natalina. Já as equipes dos grandes veículos ficam na minha segunda cidade do coração (Amo Congonhas!) por no máximo, 15 minutos. É o tempo de gravar, levar o que de melhor eles puderem e tchau! Isto te lembra alguma coisa do passado do Brasil???
Então é isto, pessoal! Quando nós, comunicadores, jornalistas, radialistas, jornais e rádios não colocamos os nomes de suspeitos, acusados e vítimas, ou fazemos matérias de outra natureza redondinhas é porque tudo é feito para impedir que possamos trabalhar com a excelência que vocês merecem. Nada mais do que isso.

Ou as coisas mudam lentamente (claro que será lentamente, pois no nosso país tudo que é certo, leva décadas para ocorrer), ou todos nós, teremos que esperar sair na Globo primeiro, como foi o caso do pai do menino João Miguel, o agora condenado Mateus Leroy. É a vida sendo a vida. No Brasil.

PS1: É pelo caso da advogada, que quando a polícia chama para uma coletiva, para "fotografar 10 barras de maconha", o que eles consideram uma enorme quantidade de drogas, que eu prefiro usar o meu tempo para escrever campanhas solidárias que ajudam pessoas. E para ser justa e não deixar de citar, a imprensa local e regional foi convidada para uma coletiva ontem, faltando tempo hábil, para fazer uma matéria tão bem construída como a da Globo. Também, pudera.... Várias cabeças pensam melhor que poucas...

PS2: Não sou todos que agem assim com a imprensa local e regional. Tem profissionais sérios em diversas áreas, que nos respeitam.

PS3: Apesar de vocês, vamos fazendo jornalismo do jeito que dá…. São mesmo sábias as palavras que compõem a música "A Cara do Brasil", imortalizada na voz de Ney Matogrosso…

"A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho
Ninguém precisa consertar
Se não der certo a gente se vira sozinho
Decerto então nada vai dar …

Por: Alexsandra Barbosa Gabriel/Jornalista - Portal Lafaiete.

2 Comentários

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  1. Sônia da Conceição Santos disse:

    Fica difícil para o jornalismo local e regional fazer um trabalho bem feito sendo tratado de forma desigual em relação aos órgãos estaduais e nacionais. Deveriam dar preferência ao jornalistas que estão aqui todos dias levando todo tipo de informação a todos.

  2. Regina Cordeiro disse:

    Cara Alexsandra! Seu texto e sua explanação foram perfeitos!

    Infelizmente os jornalistas do interior são menosprezados, ora pela fonte, ora pelos leitores.

    Torço para que um dia esta realidade seja modificada. Já passou da hora de nos impormos e exigirmos o devido respeito!

    Mais uma vez, parabéns pela sua colocação! Ponderada e inteligente como sempre!

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