Eu disse isso?

No início de abril de 2007, fui convidado para ministrar uma Aula Inaugural no Campus Dom Bosco, Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), notadamente para os acadêmicos do curso de Filosofia. Fui convidado pelo meu ex-professor João Bosco Batista, coordenador do curso.

No palco principal do campus, uma responsabilidade e tanto. Enquanto aluno da UFSJ, tinha assistido a brilhantes palestras de “cachorros grandes” tais Affonso Romano de Sant'Anna e Ziraldo, dentre tantos. Agora seria minha vez (um cachorrinho pequinês) de fazer preleção para os alunos da universidade. O resultado foi muito satisfatório.

Na plateia, observei antigos professores (as) e inclusive alguns colegas de formação. Após a palestra, com o devido tempo para as perguntas e respostas, sessão de autógrafos etc., apareceu a oportunidade de irmos a um restaurante comemorar. Foi quando conheci um calouro do curso de Filosofia, Magno Simões.

Magno já demonstrava uma inteligência desconcertante, não apenas um estudioso destes tradicionais, mas com uma visão bem aguda e alargada das coisas. Não somente com ele, mas com todos à mesa, a conversa rolou solta.
Anos depois, encontro o agora filósofo Magno em outra sessão de autógrafos de meus livros. Depois do bate-papo interativo, eis que ele me conta uma história absurda. Paranormal, por isso absurda. Segundo ele, eu, durante a minha fala na UFSJ, afirmei, em alto e bom som, que havia recebido entidades mediúnicas e conversado diretamente com Jean-Paul Sartre para a composição do meu livro Um café com Sartre.

Tentei dissuadi-lo da ideia, afirmando que eu nunca diria uma coisa dessas, uma mentira tão deslavada assim. Magno teimou, afirmando que havia testemunhas fidedignas que poderiam comprovar essa história. Tá certo que MPR já palestrou em diversas ocasiões, mas sinceramente não me lembrei do acontecido.

Essa história me faz refletir sobre muitas coisas: uma delas é acerca da responsabilidade de se apresentar em público. Da mesma forma que eu costumo fazer anotações durante as falas de um palestrante, sei que muitas pessoas fazem as mesmas anotações acerca do que escrevo e falo.

Só me restou concordar com Magno e admitir, com uma sonora gargalhada, que um palestrante pode muito bem ser um “Forrest Gump” e contar histórias. Algumas verdadeiras, outras nem tanto. Agora, que é um absurdo eu ter dito que havia tido uma experiência paranormal, lá isso é. A única forma de comunicação que Sartre faz comigo é bem simples: quando eu, MPR, posso ler todos os seus livros e, contextualizando, discutir muitas de suas ideias. Aí sim. Devo admitir que prefiro conversar com muita gente já falecida à conversa fiada de alguns vivos, os do tipo papinho “Atlético e Cruzeiro”.

Portanto, prezado filósofo Magno Simões, façamos assim: “Fica o dito pelo não dito!”. Saravá meu preto velho, incorpore na Pomba Gira a ilustre figura de Sartre! Em transe, MPR sacode o corpo como um espantalho fantasmagórico!

Marcelo Pereira Rodrigues (MPR)
www.marcelopereirarodrigues.com.br
www.revistaconhecete.com.br

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