Família lendo feliz! (Sim, ainda é um sonho possível)

Por: Marcelo Pereira Rodrigues (MPR)

Nos últimos meses, tenho participado de concursos literários na Espanha, México, Cuba, Chile, Argentina e mais alguns países. A maioria contos. Em alguns deles, temática infanto-juvenil. Modéstia à parte, penso que peguei o jeito para escrever para este público. Minha autocrítica diz que são textos que podem contribuir para o meio educacional e familiar e é por isso que decidi oportunizá-los aos meus leitores do Brasil, por intermédio da Revista Conhece-te, da qual sou editor. Serão textos inéditos, ilustrados e que estarão publicados na Revista a partir da edição número 224 de outubro.

Meu sonho é que pais e mães leem com e para seus filhos. Que as crianças leiam para os pais. Que a família possa folhear a Revista e se entretenha com uma excelente história, que cada um pai e mãe possa plantar uma semente para traçarmos um panorama de um país mais culto e alfabetizado. Esse pacto proposto por mim é singelo, mas importante para repensarmos algumas de nossas práticas.

Infelizmente, hoje, observo algumas crianças abobalhadas e escravas zumbis de smartphones e outros apetrechos eletrônicos. Crianças que estão se moldando a observarem o mundo em uma minúscula tela. Neurologicamente falando, trata-se de uma limitação absurda do campo visual, e isso deforma a formação da criança. Pensem comigo: geralmente, livros infantis são publicados com altura e largura maiores. Esse passar de páginas, preferencialmente acompanhados, alarga o campo de visão e a história, sendo lúdica, poderá levar a criança a mundos inimagináveis. Vou lhes contar uma história pessoal: 1980, eu uma criança de 6 anos entrei para a escola em Rio Espera. Meu primeiro contato com um livro foi O Barquinho Amarelo, sendo que a professora fixava um enorme banner de parte do livro na sala. Eu lia e viajava naquele banner gigante, sempre ansioso para o próximo banner que viria nas semanas seguintes. Só ficávamos sabendo do final da história no final do ano, quando então tínhamos a oportunidade de ler o livro completo. Eu passei um ano imaginando as aventuras deste barquinho amarelo.

Uma crítica que faço hoje é que alguns pais estão abandonando a formação de seus filhos pelo mais fácil e cômodo. Que não estão assumindo suas respectivas responsabilidades na construção de um mundo mais lúdico para seus filhos. A leitura em família é um recurso pouco usado e é agora que me lembro de uma charge vista no Facebook. Duas mães estão no metrô com suas respectivas crianças. Uma mãe se surpreende e pergunta a outra o que faz para que o seu filho leia um livro. A ironia da charge é esta: a mãe que questiona está com um smartphone, assim como a criança, ao passo que a mãe questionada está lendo um livro, assim como o seu admirado filho. Não me canso de afirmar que somos seres imitativos, sendo que a educação é um processo que acontece pelos pequenos gestos.

Finalizando, reafirmo o meu compromisso de escrever para as crianças, democratizando o acesso via Revista Conhece-te, objetivando o grande sonho (sim, ainda é possível) de termos um país mais leitor, e conclamo aos pais a assumirem suas responsabilidades diante desse desafio. Que sonhemos também com crianças menos abobalhadas, com a possibilidade de andarem descalças, nadarem nos rios, subirem em árvores, sem agendas executivas mirins (hora da aula de inglês, hora da aula de piano, hora da aula de balé, hora da aula de informática etc.). Que tal se deixarmos as crianças serem, antes de mais nada, crianças?

Espero vocês para lerem nossas histórias na Revista Conhece-te a partir de outubro. Combinado?

Marcelo Pereira Rodrigues (MPR) é filósofo e escritor, autor de 12 livros, publicados no Brasil e exterior, tendo participado recentemente da Feira Internacional do Livro da Costa Rica. Autor de Um Café com Sartre, dentre outros. É editor-chefe da Revista Conhece-te, que circula mensalmente há 18 anos.

www.marcelopereirarodrigues.com.br
www.revistaconhecete.com.br     

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