Marcelo Pereira Rodrigues agora é colunista do Portal Lafaiete

Marcelo Pereira Rodrigues, o MPR, dispensa qualquer tipo de apresentação. O filósofo aceitou o convite do Portal Lafaiete, e irá, a partir desta semana, contribuir com este pequeno jornal, com seus textos e acima de tudo com sua visão ampla e opinião forte sobre vários temas e assuntos. Muito obrigada, Marcelo! É só o que eu posso dizer.

Slogans e Jargões

Marcelo Pereira Rodrigues (MPR) *

Já é notório, em campanhas eleitorais e no exercício de mandatos, que políticos usem slogans e jargões como se fosse um cola-tudo em seus vazios discursos. Numa performance de fazer inveja a Rolando Lero (o famoso personagem de Rogério Cardoso na Escolinha do Professor Raimundo), proferem frases feitas como estas: “Tudo pela educação e pela saúde”; “Nosso governo está trabalhando com o intuito de combater a chaga que é a violência urbana”; “O Brasil está no rumo certo”. E vai por aí afora. A dúvida que nos rodeia é a seguinte: será que eles acreditam naquilo que proferem? Tenho lá minhas dúvidas.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), afirmou, em um de seus célebres aforismos: “A humanidade prefere ver gestos a ouvir razões!”. Nietzsche estranharia e muito um prefeito de uma grande cidade vestido de gari e varrendo calçadas, devidamente filmado e com cobertura da principal emissora de TV do país. Nada contra o trabalho do gari, mas o prefeito deveria pensar em macro decisões que estimularia a população a se tornar mais cidadã. Como filósofo, e tendo em mente sempre as lições do Mestre Sócrates, personagem de Platão (427 a. C. – 347 a. C.), desconfio sempre das aparências em detrimento das essências. Analisando o discurso que agrada ao senso comum, observo apenas e tão somente o uso de slogans e jargões. O discurso politicamente correto do tudo para o povo e com o povo, quando na prática observamos o afastamento desses ideais e uma resignação por parte do povo “Zé Ninguém”.

MPR vai contribuir com o PL com seu vasto conhecimento e sua acidez brilhante

Querem um exemplo? Nos últimos tempos, os governadores do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais decidiram parcelar os salários. Se não têm dinheiro, há de se fazer o quê (em artigos passados, afirmei que a Copa do Mundo e Olimpíadas iria quebrar o país!)?! Mas, estranhamente, pergunto: foi preciso e pensado o parcelamento de salários para os deputados? Foi aventado o parcelamento de salário para os juízes, que contam com excelente ordenado? Foi praticado o parcelamento de salário para os cargos de confiança dos governadores, deputados, senadores e pensado uma maneira eficaz de se tornar a máquina pública mais eficiente? Dirão alguns que estou misturando alhos com bugalhos, aventarão que estatisticamente a folha salarial dos deputados onera menos e que os poderes são independentes. Dirão que são receitas destinadas, e mais blá-blá-blá. Perdoem-me minha ignorância e revolta, talvez ela se aflore ao perceber o parcelamento de salários de professoras do ensino fundamental e médio. É muita maldade!

“Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Recorro a mais um pensamento de Platão para propor mais ações em prol da nossa cidadania. Cidadania! Antes de ser usada como slogan e jargão, e pensada tão somente quando nos dirigimos às cabines eleitorais para votar, penso que o termo deveria necessariamente se exercer no cumprimento de nossos deveres, como bons cidadãos e perdendo o receio de parecermos otários frente aos demais. Não me apetece ou diz respeito se um colega frauda a Previdência, o Fisco, etc. Diz respeito a mim e a mais ninguém a obediência à norma, pura e simplesmente. Sonhemos com governantes mais aptos, com uma população que se canse de discursos vazios e ocos e exija a excelência do nosso governante. Só assim vislumbraremos o bem-estar social, mas alto lá! Chamo a atenção, pois o uso do termo pode soar vazio. Faço um chamamento ao bem-estar social mesmo, com saúde eficiente, educadores competentes, agentes públicos de segurança não se vendendo ao sistema de milícias e crime organizado, ações culturais que incentivem a reflexão crítica, pais e mães comprometidos e preocupados com o contingente de alunos que tiraram nota zero na Prova de Redação do ENEM e que não compreendem noções básicas de matemática, entendimento da necessidade de formadores de opiniões em detrimento às análises superficiais e banais de qualquer um metido a intelectual, baseado no lúcido depoimento de Umberto Eco (1932-2016): “Normalmente, eles, os imbecis, eram imediatamente calados, mas agora (com as redes sociais) eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel” etc.

Que tenhamos um país com menos slogans e mais práticas de convivências que primem pela excelência... pois, por enquanto, o Brasil está um país detestável de se viver!

Marcelo Pereira Rodrigues (MPR) é filósofo e escritor, autor de 12 (doze) livros, no Brasil e no exterior. Também é palestrante e editor-chefe da Revista Conhece-te, que circula impressa no Brasil há 18 anos, mensalmente, de forma ininterrupta.

www.marcelopereirarodrigues.com.br
www.revistaconhecete.com.br

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