TDAH: Em que a terapia ocupacional pode ajudar?

Dando continuidade a série de textos sobre a Terapia Ocupacional na Reabilitação Infantil, vou falar sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, o TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Os sintomas característicos desse transtorno são desatenção, inquietude e impulsividade.

Quando me refiro a Reabilitação Infantil no TDAH, o terapeuta ocupacional é o profissional que objetiva facilitar os processos de aprendizagem e desenvolvimento das habilidades motoras e processuais necessárias para o desempenho de atividades de vida diária, estudo, brincar e lazer. As habilidades motoras dizem respeito ao uso de nosso sistema osteomuscular (ossos e músculos) e articulações. É comum pessoas com diagnóstico de TDAH serem consideradas “estabanadas”, preferirem brincadeiras infantis ou mais perigosas, por conta de prejuízos no funcionamento do sistema osteomuscular e nas noções de esquema corporal.

Com o objetivo de amenizar os sintomas do TDAH, são utilizadas atividades recreativas e lúdicas para estimular a criança ou adolescente a utilizarem habilidades artísticas, corporais e que envolvam a criação do próprio conteúdo trabalhado. O objetivo é possibilitar a integração corpo, atenção e memória, organizando no tempo e espaço da criança ou adolescente. As habilidades processuais, ou cognitivas, são necessárias para o melhor desempenho ocupacional nas atividades de rotina. Algumas delas são: atenção, foco, ritmo, escolhas, concentração, manipulação, iniciativa, sequenciamento, organização, entre outras.

Como vimos, o TDAH afeta principalmente a área do cérebro responsável pela atenção, fazendo com que a criança e o adolescente tenham maior dificuldade em manter-se nas atividades que exigem mais dessa habilidade. A criança e o adolescente com TDAH pode apresentar também prejuízos nas habilidades de interação social.

E por isso, a intervenção do terapeuta ocupacional vai acontecer dentro dos contextos de vida da criança ou do adolescente, ou seja, na escola, em casa, em parques.

Algumas estratégias para auxiliar a criança ou adolescente com TDAH: Estabeleça uma rotina estruturada com as tarefas e atividades diárias claramente descritas (para as crianças que não sabem ler podemos colocar fotos e/ou figuras representativas); Inclua atividades físicas, expressivas e livres na rotina de seu filho; Sempre elogie os acertos e encoraje nos erros (os reforços e incentivos são muito importantes); Defina regras claras e simples;

Use pistas visuais com o passo-a-passo da atividade. Por serem mais desatentos, pessoas com TDAH desenvolvem melhor a memória visual, ou seja, aquilo que ela veem fica registrado, muito mais do que aquilo que lhes é falado. No ambiente escolar, o terapeuta ocupacional pode atuar junto aos professores dando apoio e orientação sobre as facilidades e dificuldades do TDAH em sala de aula. O TO pode fazer uma análise da atividade proposta e propor adaptações e graduações que facilitam o processo de aprendizagem da criança e do adolescente.

Outros recursos que podem ser utilizados são filmes, passeios, teatro, música, expressões artísticas. Se o objetivo é mediar conflitos e favorecer o desenvolvimento de habilidades de interação social, o terapeuta ocupacional pode utilizar “técnicas de pintura, jogos teatrais, jogos cooperativos, contação de histórias e outras atividades de interesse das crianças, com o objetivo de despertar um espaço lúdico na escola, com valorização da criatividade, experimentação, convivência e criação de vínculos.” Manter uma aproximação com a família também é de extrema importância.

O terapeuta ocupacional pode propor oficinas de atividades como um espaços de acolhimento, trocas de experiências e informações a respeito do TDAH. Por fim, a promoção de autonomia e a independência de seus clientes são sempre o foco principal do terapeuta ocupacional na Reabilitação Infantil. Vestir-se, despir-se, preparar e comer uma refeição são exemplos de atividades que podem ser trabalhadas na terapia.

TO


Fabiana Rodrigues

Terapeuta Ocupacional
Crefito 4 11582 TO
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