Terapia Ocupacional no Contexto Escolar

A Terapia Ocupacional é uma profissão de nível superior que tem várias áreas de atuação dentre as mais comuns: saúde, educação e assistência social. A terapia ocupacional sendo uma profissão da área da saúde e assistência social responsável pelo uso terapêutico de atividades e ocupações humanas, sejam de autocuidado, trabalho, estudo e lazer. Considerando isso, o principal objetivo do terapeuta ocupacional na escola é promover a facilitação dos processos de aprendizagem por meio de atividades estruturadas, lúdicas e brincadeiras.

COFFITO publicou, a Resolução nº 500, que reconhece e disciplina a Especialidade Profissional de Terapia Ocupacional no Contexto Escolar, aprovada durante a 302ª Reunião Plenária Ordinária, realizada no dia 26 de dezembro de 2018.

Sendo assim o Terapeuta Ocupacional pode exercer sua função no Contexto Escolar legalmente respaldado por essa resolução.

O terapeuta ocupacional tem desempenhado função primordial possibilitando a pessoas com deficiência e ou alguma dificuldade (sensorial, coordenação motora, atenção, concentração ...) acesso à educação, pois acredita que a principal oportunidade de o indivíduo desenvolver aspectos intelectuais, sociais, emocionais e físicos é por meio da participação nos espaços educacionais.

A Terapia Ocupacional (TO) desenvolve, treina e capacita alunos e professores para o uso de tecnologia assistiva que são produtos e instrumentos, equipamentos ou tecnologias adaptadas ou especialmente projetadas para melhorar a funcionalidade da pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. O profissional busca ainda auxiliar no desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas e sociais que facilitem o desempenho dos estudantes em atividades cotidianas e escolares.

É pratica do terapeuta ocupacional a adaptação de mobiliário, adaptação do ambiente, prescrição e adaptação de cadeiras de rodas, de cadeiras de sala de aula adequadas, de material escolar específico como: engrossadores de lápis, tesoura adaptada, quadro imantado, adaptação de materiais como quebra-cabeça, jogos infantis, provas adaptadas, auxílio na elaboração de conteúdos adaptados, material de contraste (exemplo: preto e branco), etc.

As interações entre o aluno e os materiais, entre o aluno e o professor, entre o aluno e os demais alunos da sala e da escola podem estar comprometidas em função da falta de acessibilidade arquitetônica, falta de adaptação de materiais didáticos e também devido a barreiras atitudinais, que são os comportamentos e atitudes de outras pessoas que dificultam a inclusão social.

O TO atua também com alunos com distúrbios e dificuldades de aprendizagem que muitas vezes apresentam alterações na coordenação motora fina, lentidão para cópia e execução de tarefas escolares, dificuldades de orientação espacial e temporal, dificuldades de raciocínio e compreensão, dificuldade de concentração, déficits sensoriais (auditivos, proprioceptivos, visuais, táteis, paladar).

Dessa maneira o TO no Contexto Escolar não desempenha seu trabalho somente com pessoas com deficiência ou dificuldades de aprendizagem, seu objetivo também pode ser: grupos para profissionais da escola visando colaborar com a maneira do professor lidar com as diferenças,

colaborar com a organização das atividades pedagógicas por meio de adaptações adequadas, treinamentos sobre comunicação alternativa, acessibilidade e com sugestões da organização de espaços no contexto escolar. Consultorias aos profissionais que trabalham nas escolas. Reuniões com os pais para esclarecer e ajudar na adaptação, e inclusão de alunos. Avaliação de alunos e feedback aos pais com possível sugestão de avaliação profissional especifica.

O terapeuta ocupacional pode realizar seu trabalho em contexto escolar nos seguintes locais:

- Nas escolas desenvolvendo um trabalho com professores, pais e alunos. (Orientar pais, professores e colaboradores sobre estratégias para auxiliar no aprendizado das crianças.)

- Na escola ainda: Melhorar e adaptar o ambiente, tornando-o mais lúdico e interessante ao aprendizado; Facilitar o aprendizado por meio de brincadeiras e realizar treino de habilidades e atividades; Promover a independência e autonomia dos alunos nas atividades de vida diária, ou seja, treinar a alimentação, escovação de dentes e uso do banheiro; Favorecer respostas a estímulos sensoriais, através de atividades que envolvam o uso dos sentidos; Confeccionar adaptações e materiais de apoio para o aluno, quando necessário, visando ampliar sua participação nas atividades.

- Com o aluno em consultório particular e concomitantemente orientações à escola;

- Atendimento individual por convênios de saúde, mas também com orientações para os professores;

- Educação Especial, atendimento em instituições como: APAE, Associação de Autistas, Associações para Síndrome de Down etc., quando estas instituições oferecem estimulação cognitiva e motora objetivando melhoras no contexto escolar.

- Em empresas que prestam assessoria as escolas.

Esse profissional possui várias medidas padronizadas e validadas de avaliação do desenvolvimento e desempenho ocupacional do aluno de acordo com a idade, no entanto as mais utilizadas são: COPM – Medida Performance Ocupacional Canadense, SFA – School Function Assessment, PEDI – Avaliação Pediátrica de Incapacidade GMFM – Medida de Função Motora Grossa e MIF – Medida e Independência Funcional, Perfil Sensorial Escolar.

As reuniões com famílias, professores, avaliações padronizadas, escuta qualificada do aluno são formas de conhecer o desempenho ocupacional para conseguir propor a melhor forma de estimulação de cada aluno.

O terapeuta ocupacional em contexto escolar pode utilizar a Classificação Internacional de Funcionalidade Incapacidade e Saúde (CIF) que é também uma ferramenta de política pública para melhorias na educação, por que classifica não somente as funções do corpo e suas estruturas, mas classifica primordialmente as atividades e a participação do educando em diferentes momentos como: escrita, mobilidade dentro e fora da escola, atividades manuais como apanhar, soltar, cuidados pessoais fundamentais no cotidiano escolar como se alimentar, ir ao banheiro, brincar, se socializar etc. Mas não é obrigatório o uso de nenhuma avaliação padronizada, elas padronizam e garantem um respaldo técnico, científico na atuação do profissional, direcionando seu trabalho.

Conhecendo as atividade e participações do aluno será possível classificar também quais são as barreiras para a execução das atividades propostas pela escola e quais são os facilitares para o processo ensino aprendizagem. Lembrando sempre que é individual, pois cada aluno é único, e precisa ser visto como tal.

Fabiana Rodrigues
Terapeuta Ocupacional
Crefito 4 11582 TO
31 971251411

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Referências:
KAMPWIRTH, T. J.; POWERS, K. M. Overview of school: based consultation. In: KAMPWIRTH, T. J.; POWERS, K. M. Colaborative consultation in the schools: effective practices for students with learning and behavior problems. New Jersey: Merril Prentice Hall, 2003. p. 01-39.
JURDI, A. P. S.; BRUNELLO, M. I. B.; HONDA, M.Terapia ocupacional e propostas de intervenção na rede pública de ensino. Revista de Terapia Ocupacional da USP, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 26-32, jan./abr. 2014.
MUNGUBA, M. C. Inclusão escolar. In: CAVALCANTI, A.; GALVÃO, C. Terapia ocupacional: fundamentação & prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. p. 519-525.
ROCHA, E. F.; LUIZ, A.; ZULIAN, M. A. R. Reflexões sobre as possíveis contribuições da terapia ocupacional nos processos de inclusão escolar. Revista de Terapia Ocupacional da USP, São Paulo, v. 14, n. 2, p. 72-78, maio/ago. 2003.

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