O Vírus & Nós

Nas aulas de Ciências e Biologia no Ensino Médio, aprendi acerca da divisão entre os variados seres que habitam o planeta Terra. Aquela compreensão básica de animais, vegetais, fungos e vírus. E o tal do Reino Monera? Formado por bactérias e toda a sua família. Há cerca de cinco anos, li o maçudo Evolução, do grande geneticista Richard Dawkins e percebi o óbvio: o ser humano é apenas um dentre os pertencentes a esta esfera azul no Universo. Nossa pretensa arrogância cai por terra quando nos deparamos com um vírus que, surgido na China, se alastra mundialmente e ocasiona pandemia. A coisa está sendo muito séria!

Cancelamentos e adiamentos de espetáculos artísticos e culturais, economia global colapsada, necessidade de alterarmos as nossas rotinas, revisão de conceitos e condutas, enfim, o entendimento científico nos faz viver (e sobreviver) com mais segurança no mundo. Particularmente, passei por duas situações extremas, dessas que nos ocorrem nos famosos 45 minutos do 2º tempo. Retornei do Paraguai dias antes do fechamento das fronteiras entre diversas nações. Participei de uma concorrida apresentação literária com a livraria lotada, sendo que, dois dias após, o Estado de Minas Gerais e a grande maioria dos outros Estados decretou a quarentena. Passei raspando.

Sem querer ser adivinho nem profeta, essa pandemia não me surpreendeu. Procuro sempre ter um olhar científico para as coisas, sob a égide da razão. Da mesma forma que sei que baratas e escorpiões sobreviverão a uma hecatombe nuclear, sei perfeitamente que a raça humana tem depreciado bastante a terra em que vive. A irreflexão, a ignorância, as crendices populares que passam ao largo do racional, só nos condena a sofrermos as consequências de ações deliberadas e nocivas ao planeta. Vide aquecimento global, derretimento das calotas polares, excesso de plástico e lixo lançados nos oceanos e verão a nossa má educação no que diz respeito ao convívio mútuo.

Já aguardava essa pandemia, e evoco aqui a arte para nos refrigerar a alma e anseios. Revi a pouco ao filme Contágio, o qual indico, e que profetiza uma pandemia que dizimou parte da população. O filme é de 2011 e é do diretor Steven Soderbergh. Aludindo às letras, como não se lembrar de A Morte em Veneza, de Thomas Mann, também vertido em filme? E do trágico A Peste, de Albert Camus? Talvez tenhamos que nos refugiarmos na Montanha Mágica, o sanatório de Davos também tão bem descrito por Thomas Mann!

De toda a lição que fica, destaco apenas uma: a preferência por observações filosóficas, racionais e científicas para nos orientar. A arte e a literatura para nos emoldurar acerca desta trágica realidade. Continuarei o meu trabalho, escrevendo os meus livros, exercitando o meu pensar, à frente da Revista Conhece-te e agenciando a outros escritores, enfim, seguindo o seu caminho, apontando e sugerindo rotas alternativas.

Marcelo Pereira Rodrigues (MPR)
www.marcelopereirarodrigues.com.br
www.revistaconhecete.com.br

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